Fonte:Tribuna do Norte
Tasso Marcelo
Eike Batista: queda de ações em todas as empresas e imagem
desgastada durante manifestações
A agonia da OGX, petroleira que funciona como empresa-âncora do grupo de
Eike Batista, teve ontem um capítulo surpreendente: em fato relevante
divulgado ao mercado, a empresa informa que sua principal aposta de receita,
o campo Tubarão Azul, na Bacia de Campos, que iniciou produção em 2012,
pode parar de produzir em 2014. A notícia caiu como uma bomba sobre a
negociação das ações de todas as empresas de Eike.
O papel da OGX terminou o pregão cotado a R$ 0,56, com queda de 29,11%. Girando em negócios
do dia R$ 200 milhões - o equivalente a 3,5% do volume financeiro da
BMF&Bovespa - a petroleira arrastou as demais empresas X, contaminou
outras companhias, como a Petrobras, e o próprio Ibovespa, que não
conseguiu se sustentar em terreno positivo e fechou o dia em queda de
0,48%.
“Pela manhã as ações chegaram a cair 40%. A coisa está
preta”, resumiu Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura
(CBIE), depois que negociações com papéis da OGX foram suspensas em
sucessivas vezes na Bolsa.
Além de Tubarão Azul - que até o
início da crise, em junho do ano passado, era considerada a estrela da
OGX, com estimativa de 110 milhões de barris de petróleo que a empresa
poderia retirar do reservatório -, foram revistos os projetos de Tubarão
Tigre, Tubarão Gato e Tubarão Areia, na mesma Bacia de Campos. Até
setembro, deverão ter novos planos exploratórios apresentados à Agência
Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), sob risco de
devolução da concessão.
ContratosNa
esteira das más notícias, a OSX teve revelado que cinco contratos de
plataformas (duas flutuantes e três fixas) foram sustados. Sem a
expectativa de produção inicialmente informada ao mercado, não haveria
necessidade de tantos equipamentos encomendados ao estaleiro. Resultado:
as ações da OSX fecharam em queda de 5%. Também se destacaram entre as
maiores quedas CCX (-16,48%), LLX (-10,10%), MMX (-9,42%) e MPX
(-4,64%).
A OGX disse ter concluído “análise detalhada” do
comportamento de cada um dos três poços de produção do Campo de Tubarão
Azul desde o início da produção e concluiu que não existe, no momento,
“tecnologia capaz de viabilizar economicamente qualquer investimento adicional nesse campo visando aumentar o seu perfil de produção”. Mesma explicação usada para os demais campos.
A
justificativa foi questionada por geólogos. “Isso não é um problema de
tecnologia. Isso é um fato da geologia. A OGX vai ter que perfurar mais
poços para produzir petróleo, o que pode ser antieconômico”, avaliou o
especialista em geologia da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Jorge
Abreu.
Procurada pelo Estado, a OGX não respondeu a questionamentos nem mesmo por e-mail.